Baterias
 

Como Utilizar o Triton
Cuidados básicos com baterias de Níquel Metal Hidreto ( NiMh )

As baterias e os preços
Baterias falsificadas
As baterias de Lítio
Carregando as baterias
Equivalência Entre Baterias Recarregáveis*

A voltagem da bateria
Os medidores
A voltagem medida

A Síndrome do Fio Preto
Baterias
Soldar ou não soldar as pilhas?

Atenção com as suas baterias
Como guardar as baterias por longos períodos.

 


O Triton

 

                    
                    Muitos colegas me consultam porque estão indecisos entre comprar um ciclador da Planecom ( Supercycler ) e um Triton, ou ainda outro carregador/ciclador de marca diferente.
                    Pessoalmente optei por comprar um Triton devido não só a aplicação no meu hobby como também no dia-a-dia da oficina uma vez que trabalho
com todos os tipos de baterias.
                    O mercado está repleto de carregadores e cicladores de várias marcas e preços, cada um deles fazendo o trabalho básico de carregar e ciclar as baterias, entretanto, cada um deve considerar a sua necessidade - atual ou futura - considerando alguns pontos básicos.
                    Por exemplo:
                    Compre um Triton se:

                        - Se você tem baterias de NiCd ou NiMh com capacidades maiores do que 2000mA;
                        - Se você tem ou pretende ter modelos elétricos, que utilizem baterias de Lítio;
                        - Se você não quer ficar esperando 15 horas para o pack carregar completamente;
                        - Se você não quer ficar sem voar quando chega no campo e vê que esqueceu de carregar um pack;

                     Então, se você possui apenas os packs convencionais do receptor e do transmissor - baterias de 500 a 700mA, e não pretende utilizar packs de maior capacidade ou baterias de LiPoly ( Lítio ), você não tem nenhuma necessidade de comprar um Triton.
                     Mas se que reciclar periodicamente as suas baterias e mantê-las sempre com bom desempenho, compre um Descarregador de baterias do Mano,
que junto com o carregador original do rádio farão o serviço eficientemente.
                     Quer gastar mais um pouco ( umas 4 vezes mais )? Então compre um SuperCycler da Planecom que é um bom equipamento para esse serviço.
                     Por outro lado, se você está mesmo disposto a gastar mais e comprar um Triton, vá em frente que não se arrependerá!.
                     Costumo brincar com o pessoal que me pergunta qual ciclador comprar dizendo: "Se você quiser comprar um BMW para ir até aonde um
Gol 1000 poderia lhe levar, ótimo. Certamente fará o percurso com muito mais conforto e pompa, mas chegará exatamente no mesmo destino
!"
                     Bem, não pensem que eu estou ganhando alguma coisa da Great Planes para falar no Triton, eles certamente nem sabem que eu existo..., apenas tento passar a minha experiência sobre um aparelho que eu conheço um pouco.
                     O Triton é chamado de carregador inteligente não porque ele possa pensar, mas porque ele tem memória, diferente de muita gente que pensa mas não tem memória... Isso significa que o Triton pode ser programado para trabalhar de diferentes formas, e põe diferentes nisso. Bem mas vamos ver como é o funcionamento "na prática".
                     Vou tratar apenas das programações básicas do Triton, só para aqueles que tem preguiça de ler o manual ( mesmo quando é em portugûes ), as
demais funções estão todas detalhadas no manual a disposição de quem quiser "achá-las".

                        Ligando o Triton

                       O Triton precisa ser ligado a uma bateria de 12 volts ( automotiva ou "motomotiva" - será que existe este termo? ) ou a uma fonte de alimentação
que forneça uma voltagem entre 11,5 a 15 volts DC ( corrente contínua ). Um boa fonte de PX funciona legal.
                       Note que tanto a bateria como a fonte devem ser capazes de fornecer uma corrente de no mínimo 13 Ampéres ( 13 A ).
                       Aqui já vem a primeira dúvida: Posso ligar o Triton na bateria da minha caixa de campo que é de 7A? Pode se você não precisar carregar baterias
com altas taxas de carga. Isto é, se você programar o Triton para carregar uma bateria com uma taxa de 5A por exemplo, logo em seguida a voltagem da bateria
da caixa de campo vai "arriar" e o Triton vai parar de funcionar quando a voltagem da bateria atingir 10,5 volts.
                       Então, para dar uma "carguinha" rápida no pack do receptor ou transmissor, não tem problema. Se precisar carregar baterias maiores, ligue o Triton
na bateria de algum veículo próximo.
                        O Triton tem proteção contra a inversão de polaridade tanto da bateria ( ou fonte ) que o alimenta ( entrada ), quanto para a bateria que será carregada. Portanto se você ligar os fios trocados na entrada do Triton ( o positivo no lugar do negativo, ou o preto no lugar do vermelho) ele simplesmente não
vai funcionar, mas também não vai queimar. Isso é bom!
                        Assim que conectar o Triton na bateria ( ou fonte ) você vai ouvir um bip e no display, depois de aparecer o nome da Great Planes ElectriFly, vai aparecer a última função executada pelo Triton quando foi desligado.
                        Agora é só programar o Triton para a bateria que você quer carregar, ou descarregar ou ainda ciclar.

                        Identificando os botões de controle

                        A programação do Triton é feita através dos três botões no painel frontal.
                       O primeiro a esquerda, quadrado, com a inscrição MENU, que acessa o MENU DE AJUSTES;
                       O botão do meio também quadrado onde se lê BATT TYPE, que acessa o MENU PRINCIPAL permitindo a escolha do tipo de bateria a ser carregada;
                       Finalmente bem a direita um botão maior, redondo sem nenhuma inscrição, que quando girado, seleciona os menus e quando apertado permite
alterar os valores de cada um deles.
                       

                       Partindo para a prática

                       Nada melhor que "aprender fazendo".
                       Digamos que você quer fazer uma coisa bem básica: Carregar uma bateria de bordo de 4,8 v 600mA de NiCd.
                       Apertando o botão BATT TYPE você verá que aparecem no display os tipos mais comuns de baterias como NiMH ( Níquel Metal Hidreto);
Pb ( Chumbo ácido - Bateria da caixa de campo ); Li-ion ( Lítio Ion - que também pode ser Li Poly ); Memory [01] e NiCd ( Níquel Cádmio ).
                       Você vai notar que ao lado do tipo da bateria está a palavra charge indicando que o Triton está preparado para CARREGAR a bateria. Logo abaixo do tipo da bateria tem um número qualquer, por exemplo: 0,2A. Esse é o valor da corrente de carga que o Triton fornecerá à bateria.
                       Digamos que você parou na posição NiCd charge 0,2A. Apertando o botão grande por alguns segundos o valor 0,2A começará a piscar. Isto indica
que o Triton está esperando que você aceite ou MUDE o valor indicado. Se você quiser mudar o valor da corrente de carga, para 0,3A ( 300mA ), basta girar o botão grande no sentido horário e os valores vão aumentando chegando até 5A ( 5.000mA ), após esse valor aparece a palavra auto indicando que você está deixando para o Triton decidir qual a melhor taxa de carga para a sua bateria.
                       Vamos supor que você está com um pouco de pressa e seleciona um valor de 0,9A ( 900mA ) = 1,5 C ou 1,5 vezes a capacidade da bateria
( 600mA ). Aperte novamente o botão grande por alguns segundos e o Triton responderá com um bip e a mensagem BATTERY CHECK. Se a bateria estiver corretamente ligada o processo de carag terá início. Caso contrário aparecerá a mensagem ERROR NO BATTERY.
                       Veja que aqui não importa se a bateria é de 4,8v,( 4 células ) 6,0 v ( 5 células ) ou 9,6 v ( 8 células ), desde que tenha até 24 células o Triton vai
carregá-la com os 0,9 A até que a carga esteja completa. Também não interessa se a capacidade da bateria é de 600mA ou 2000mA.
                       Isto acontece porque para baterias de NiCd e NiMh o Triton utiliza o método de carga chamado CORRENTE CONSTANTE.
                      Terminada a carga emite uma série de bips e depois mostra a palavra END piscando no display.


                      Não esqueça que:

                      1. Ao selecionar baterias de Li-Ion ao lado da indicação da taxa de carga vai aparecer a voltagem, variando de 3,6v = 1 célula ou 1S; 7,2v = 2
células ou 2S e 10,8v = 3 células ou 3S. É necessário que você informe também ao Triton quantas células a bateria de Lítio possui.
                      2. Se você tiver carregando baterias de Chumbo ácido ( automotivas ), você també deverá indicar se é uma bateria de 6,0 v, 12v ou 24 volts. Para
carregar baterias de Lítio e Chumbo-Ácido, o Triton utiliza o método de carga chamado CORRENTE CONSTANTE e VOLTAGEM CONSTANTE.
                      3. Ainda na função de CHARGE para baterias de Lítio ou Chumbo ácido, se ao invés de você apertar o botão grande para iniciar a carga, apenas
girá-lo em qualquer um sentido, você entrará na função DISCHARGE, que como o nome diz irá descarregar a bateria até um valor pré determinado de voltagem que
aparece ao lado da taxa de carga..
A descarga permite que você saiba quanto de energia havia armazenada ainda na bateria.
                      4. Ainda na função CHARGE mas para baterias de NiCd e NiMh, além da descarga aparecem outras duas opções: NiCd Chg 0,2A to Dsch 0,3A
que indica que a bateria será CARREGADA com 0,2A ( 200mA ) e DESCARREGADA com 0,3A ( 300mA) ou NiCd Dsch 0,3 to Chg 0,2A que faz exatamente o contrário DESCARREGA a bateria e depois CARREGA novamente.
                          Essas duas funções nada mais fazem do que ciclar a bateria e o número de vezes que o Triton repete o ciclo pode ser ajustado conforme veremos mais adiante.
                     5. Como regra geral não devemos aplicar cargas com elevada corrente na bateria sob pena de danicá-las pelo excesso de calor gerado e também
para não diminuir a sua vida útil.
                         Baterias de Lítio não devem ser carregadas com taxas maiores que C ( capacidade máxima da bateria ), sendo que a maioria dos fabricantes re-
comenda taxas de 0,9 C ( 90% da capacidade ). Para carregar baterias de Lítio é fortemente recomendável que seja utilizado o sensor de temperatura do Triton, acessório vendido separadamente, bem como um balanceador de células. O primeiro para termos maior segurança de que a carga será interrompida se a tempera-
tura atingir níveis perigosos, e o segundo para que todas as células recebam a mesma quantidade de carga e o pack fique bem equilibrado fornecendo assim a sua
capacidade máxima.
                         Para as baterias de NiCd e NiMh recomenda-se SEMPRE a carga mais lenta possível, que no caso do Triton é de 0,1A ( 100mA ), o que para uma bateria de 1000mA seria 0,1C. Eventualmente pode se aplicar cargas maiores ( menor tempo de carga ) como 0,5 C e até 1C. É importante porém que esse
seja um procedimento eventual, sob pena de encurtarmos bastante a vida útil da bateria. Nunca esquecendo que as baterias de NiCd SEMPRE DEVEM SER DESCARREGADAS ANTES .
                      6. Durante a decarga das baterias de NiCd de NiMh o valor da voltagem mínima deve ser ajustado entre 0,8 e 1,0 volt por célula do pack. Uma ba-
teria de 4,8volts por exemplo deve ter o valor de tensão mínimo entre 3,6 e 4,0 volts. No caso das baterias de Lítio e Chumbo ácido esses valores são automáticamente pré ajustados pelor Triton não sendo possível modificá-lo.

                       Memória


                      Uma das opções que aparece no menu para a escolha do tipo de bateria é MEMORY [01].
                      O Triton possui 10 memórias para você utilizar da forma como quiser, programando todos os parâmetros de carga/descarga, tipo de bateria, taxas e voltagens. Normalmente essas 10 memórias já vem "preenchidas" com os valores para os tipos mais comuns de baterias, mas nada impede que você mude UMA
ou mesmo TODAS.
                      Quando o display estiver mostrando a memória você terá por exemplo:

                      MEMORY [03] NiCd
                      8 cell      /     600mA

                     Isso indica que na posição 05 de memória o Triton está programado para trabalhar com uma bateria de NiCd de 8 células com 600mA de capacidade.
                    Girando o botão grande você terá todos os valores que foram programados, por exemplo:

                     BATTERY TYPE                  Tipo da bateria               Nicd
                     NUMBER OF CELLS           Numero de células         8 CELL
                     BATTERY CAPACITY        Capacidade da bateria    600mA
                     CHARGE CURRENT           Corrente de carga           0,5 A
                     DISCHARGE CURRENT     Corrente de descarga      0,3A
                     DSCHG VOLT/CELL           Volts por célula (min )     0,8 V/CELL  

                  E assim para cada uma das 9 outras posições de memória.
                  Para trocar de memória basta ficar apertando o botão grande por alguns segundos. O número da memória vai começar a piscar e é só girar o botão grande para que os demais numeros de memória e tudo que esta guardado neles irem aparecendo. Quando você chegar no número desejado, é só apertar novamente
o botão e o numero permanecerá fixo. Girando novamente o botão poderemos visualizar todos os valores relacionados acima, agora porém para outro tipo de bateria.
                 Uma vez escolhido o número da memória desejado, aperte o botão MENU e girando o botçao grande novamente escolha o tipo de operação que deseja fazer na bateria.( carga, descarga, ciclagem, e etc )
                 Quando o Triton está trabalhando, carregando uma bateria por exemplo, o display estará indicando:

                 Na parte de cima a esquerda, o tipo da bateria ( NiCd, NiMh etc ); em seguida o tipo de operação que está sendo feita ( Chg, Dsch, etc ) e a corrente em mA ( de 1 em 1 ) que está sendo colocada ( ou retirada ) da bateria.
                 Na parte inferior a esquerda, a voltagem da bateria; a taxa de carga ( ou descarga ) e o tempo em minutos.
                 Durante a carga ou a descarga, se girarmos o botão grande veremos um relogio indicando o tempo que o Triton está operando, expresso em horas, minutos e segundos
                 Para interromper qualquer processo em andamento, basta pressionar o botão MENU .

                 Programação avançada

                 O botão MENU quando o Triton não está operando, apenas ligado, permite o acesso a outra programação mais avançada do carregador, onde podem
ser configurados parâmetros como Timer que limita o tempo de funcionamento, tipos diferentes de bips para os avisos sonoros, sensor de temperatura, milivolts/ célula
para ajustar a atuação do sensor de bateria cheia ( Peak Detect ), top off charge e outros.
                 Uma vez que estes ajustes requerem um conhecimento mais profundo, e portanto foge ao objetivo destas breves dicas, não vou entrar em detalhes maiores sobre eles. Quem desejar um maior aprofundamento é só ler atentamente o manual.
 

                 Espero ter contribuido de alguma maneira para todos aqueles que gostaria de aprender a lidar melhor com o Triton.
                 Certamente este texto está longe de esgotar o assunto, por isso, quem tiver alguma dúvida é só entrar em contato comigo que procurarei esclarecer.

                MAno

                     

    

Cuidados básicos com baterias de Níquel Metal Hidreto ( NiMh )

              As informações a seguir, constam de um material informativo fornecido com as bateria GP - Golden Power e
são bem interessantes para consumo do usuário mais leigo, embora de maneira geral sirva para todos que já sabem, ou
pensam que sabem, como utilizar as baterias de NiMh.


              1º Utilizar um carregador compatível com a capacidade da bateria e observar o tempo de carga.
              2º Sempre que possível use o carregador que acompanha o equipamento.
              3º Não inverter a polaridade da bateria quando colocá-las em carga.
              4º Não utilizar baterias de tipos diferentes no equipamento ou no carregador ( NiMh, NiCd ou Alcalinas ).
              5º Não coloque "em curto" os polos da bateria
              6º Não exponha a bateria ao fogo.
              7º Retirar as baterias do equipamento se não for utilizá-lo por longos períodos de tempo.
              8º Não sobrecarregar as baterias ou descarregá-las completamente.
              9º Baterias que duram cada vez menos, estão esgotadas e devem ser substituídas.
            10º Ao manusear as baterias, procure manter as temperaturas abaixo:
                  Temperatura de carga ..................... 0 a 45 ºC
                  Temperatura de descarga ............ -20 a 50 ºC
                  Temperatura de armazenamento... -20 a 35 ºC

 

 

As baterias e os preços

        As baterias que eu vendo são cerca de 50% mais baratas do que as baterias originais. Mesmo assim alguns colegas me questionam que no mercado encontram baterias semelhantes ainda mais baratas.
        Realmente as baterias, sobretudo as de NiCd estão bem populares e são encontradas em qualquer loja de produtos eletrônicos, eletrodomésticos e em bancas de camelôs.
        A respeito das baterias dos camelôs já teci alguns comentários no tópico abaixo ( Baterias falsificadas ), mas acredito que devo esclarecer a todos um pouco mais sobre a montagem de packs de baterias para RC.
        Simplificadamente é muito fácil fazer um pack de baterias principalmente para o receptor ( bateria de bordo ). Basta ir até uma loja de eletrônica ou banca de camelô, escolher uma cartela de "pilhas" da capacidade que se deseja, comprá-las bem baratinho, chegar em casa esquentar o soldador, soldar uns pedaços de fios interligando as pilhas, cortar o fio com o conector da bateria velha ou de um servo pifado soldá-lo na bateria e depois enrolar o "pack" ( pacote ) em fita isolante ou fita crepe e está pronto o pack!
        Agora é só instalar no avião, carregar e pronto. Afinal as pilhas são "novas", o fio e o conector são da bateria velha que até estava funcionando só não "pegava" mais carga.
        A bateria do rádio ( transmissor ) é um pouco mais complicado de montar porque as vezes a "maçaroca de fios+solda+fita isolante" fica tão grande que a bateria simplesmente não entra no rádio! A solução então é fazer como o colega da foto abaixo que não vacilou em serrar a tampa trazeira do rádio para poder colocar a bateria. Sem falar em outros que simplesmente "colam" a bateria na parte trazeira do rádio com fita isolante!!!


A bateria ficou muito grande...

          É óbvio que packs feitos assim são muito baratos. Por outro lado quase sempre cobram um alto preço do aeromodelista que os utiliza. Baterias ruins, soldas mal feitas, fios e conectores oxidados, mau contatos de toda ordem acabam provocando a perda de controle do aeromodelo.
          Para montar um pack de baterias utilizado em aeromodelos onde a segurança e confiabilidade devem ser máximas, alguns cuidados básicos devem ser tomados.

          1 - Qualidade da células que vão compor o pack;
          2 - Pré teste em todas as células para verificar a condição de cada uma;
          3 - Montagem mecânica do pack;
          4 - Soldagem das células entre si;
          5 - Aplicação de 3 ciclos de carga no novo pack;
          6 - Colocação do fio e conector;
          7 - Colocação do plástico termo-retrátil.

 

          A escolha das células

          E a parte mais importante do processo uma vez que vai determinar a vida útil do pack, ou seja, a quantidade de recargas que ele poderá receber e a capacidade de fornecer energia.
          Existem dois caminhos para você conseguir células boas. O primeiro é comprar células de um fabricante de "grife" como a SANYO, GE, PANASONIC etc... O segundo é comprar muitas células de um fabricante qualquer e selecionar as que você precisa.
          Utilizando o primeiro método você não erra mas vai pagar um preço tão elevado que o seu pack feito em casa vai custar quase como um novo feito industrialmente, isso se você não danificar alguma célula na soldagem...
           Se você precisa apenas de uma bateria nem tente utilizar o segundo método porque o número de células que você precisará comprar para selecionar 4 ou 8 entre elas, vai custar caro também. Sem contar o tempo e o conhecimento que você vai precisar para selecioná-las!
           A título de ilustração, eu compro uma média de 300 a 400 células p/mês e os meus cicladores e carregadores estão 24 horas trabalhando para escolher as melhores entre elas.
          É verdade que no meu caso, eu já conheço os fabricantes e só compro células daqueles cuja qualidade é satisfatória. O indice de rejeição fica em torno de 3 a 7%. Esse percentual representa aquelas células que não atingem a capacidade mínima especificada pelo fabricante embora estejam em boas condições.
         Já deu para perceber que comprar 4 células de um fornecedor qualquer e elas estarem 100% é quase uma loteria!

 

Pré teste nas células

         Todas as células recebidas são testadas uma a uma para verificar se estão OK quanto a curtos internos ( voltagem zero ) e equalização da voltagem de repouso.

 

Montagem mecânica do pack

         A seguir as células são coladas umas as outras tomando a forma do pack que se deseja montar. Essa operação é importante porque vai proporcionar solidez mecânica ao pack. Isso evitará que durante a utilização, sobretudo nas baterias de bordo onde existe a vibração do motor, haja o rompimento das interligações entre as células.
         Convém lembrar que nem as baterias originais da Futaba são coladas entre si. Por isso algumas vezes encontramos baterias com mau contato devido a "trincas" na solda a ponto nas interligações da bateria.

Soldagem das células.

          Uma das partes mais importantes da montagem do pack é sem dúvida a soldagem das células. Muito se tem falado sobre isso. Soldar ou não soldar as baterias.
          Alegam alguns que a temperatura elevada da solda com estanho pode danificar a célula internamente bem como o anel plástico de vedação existente em torno do polo positivo. A solda a ponto como gera bem menos calor não causaria esses problemas. Eles estão certos.
          Agora você deve estra pensando:
          - Como é que o Mano admite que não é bom soldar as baterias com estanho e ele mesmo solda?
          Simplesmente porque o método que eu utilizo para a soldagem NÃO SOBREAQUECE A BATERIA. De outra forma não estariam por ai em todo o Brasil baterias feitas por mim com mais de 4 anos de utilização. Não é lógico?
          Quem já viu uma bateria soldada por mim sabe do que é que eu estou falando.
          Quando sou solicitado a falar sobre esse assunto, gosto de citar o exemplo do ato de passar roupas com ferro quente, tão comum em nossas casas.
          Diáriamente nossas camisas são passadas a ferro sem dano algum, porém experiente deixar o ferro quente parado em cima de uma delas! Queima na hora não é? Seria correto então, dizer que passar a roupa danifica as mesmas? Claro que não, só se a pessoa que for passar não souber utilizar o ferro de passar!
          Creio que esse exemplo encerra o assunto.

A ciclagem do pack depois de pronto.

          Depois de montado, o pack é colocado no ciclador e submetido a três ciclos completos de 15 horas cada um onde a cada descarga é anotado o valor da capacidade do pack.
          Se o valor da descarga for inferior a capacidade especificada na célula o pack é rejeitado.
          Normalmente um pack em boas condições apresenta uma capacidade de 10 a 15% a mais que a especificada nas células.

O fio e conector

         Outro detalhe muito importante da bateria é o fio e o conector. Por ignorar essa importância, novamente temos aeromodelos quebrados devido a fios partidos dentro da capa ou quebrados junto a bateria.
         A utilização de conectores de computador no lugar dos originais, além da possibilidade de ligar a bateria invertida no receptor e a consequente queima do mesmo e dos servos, os conectores de computador não proporcionam contato elétrico de boa qualidade para a corrente que sai da bateria.
         Principalmente na bateria de bordo onde o fio fica prá lá e prá cá dentro da fuselagem é importante um fio bem flexível e um conector que fique firme quando ligado na chave proporcionando um bom contato.
        Nas baterias que eu monto sempre utilizo fios e conectores IMPORTADOS. Não só por serem importados, mas porque não encontrei nada no mercado nacional que proporcionasse um resultado técnico da mesma qualidade.

 

O plástico termo-retrátil.

       O acabamento final da bateria é dado pela aplicação do plástico termo retrátil.
       Ele garante a solidez mecânica perfeita da bateria e a sua aparência final, até porque fica difícil acreditarmos que um determinado produto é bom quando a sua aparência não é boa...
       A propósito vejamos umas fotos sobre esse assunto.

                         

       A bateria acima com feita em uma loja que revende material eletrônico. O cliente comprou as 8 células no balcão e após pagou uma pequena taxa para que a bateria fosse montada. Observe como foi um processo simples e barato! Considere que todos os cuidados que relatei no texto acima custam apenas R$15,00 a mais do que o camarada pagou por essa bateria!
       Uma bateria para o rádio eu vendo por R$ 70,00 e ele pagou R$55,00 por esta!

.

          Aqui podemos ver uma "bela" solda a ponto furando o plástico termo retrátil de pouca espessura e qualidade.

 

           A bateria já instalada no rádio. Provávelmente pelo proprio usuário uma vez que os seus fios estavam soldados diretamente na placa do circuito do rádio.
           Para retirar a bateria do rádio - caso quisesse ciclá-la - é necessário retirar a tampa trazeira do rádio e "dessoldar a bateria da placa".
          Dá para observar a qualidade do acabamento proporcionado pelo plástico termo retrátil junto aos fios...

              Uma bateria igual de minha fabricação onde são observados todos os cuidados necessários.

             A bateria vista de topo onde se pode ver a qualidade do acabamento das soldas.

 

 

Baterias falsificadas

          Pessoal, aqui vai um aviso para vocês. Muito cuidado em comprar baterias de alta capacidade sobretudo em camelôs.
         Colegas tem me trazido baterias Níquel Metal Hidreto ( NiMH ) de capacidade elevada - 1950, 2600 e até 3000mA - que após montado o pack e colocado no ciclador a capacidade não atinge sequer 10% da indicada no invólucro da pilha!
          Recentemente um cliente achou muito caro um pack de 1800mA - 4,8 volts que eu vendo a R$80,00 e resolveu comprar uma cartela com 4 pilhas PANASONIC de 2600mA por R$25,00! Como eu cobro R$ 17,00 para montar o pack com conector original da Futaba/JR, ele achou que estava fazendo um ótimo negócio.
Resultado: Depois de 3 ciclos de carga, o máximo que o ciclador conseguiu retirar das pilhas de 2600mA foi 185mA!!!
          Resultado, o pack de 1800mA dele saiu por R$122,00 !
          Vejam bem, se uma pilha de NiMh de boa qualidade e com capacidade de 1800mA custa entre R$10,00 a R$16,00, dependendo do fornecedor e da quantidade comprada, como é que alguém pode imaginar que uma pilha de 2600mA vai custar R$ 6,25 ?
           Outro detalhe a considerar é a garantia do produto. Se você fizer um pack com pilhas compradas num camelô e depois quebrar o avião porque uma das pilhas apresentou problema, você vai cobrar de quem?
           Um pack de baterias para uso em aeromodelos, jamais deve ser feito simplesmente comprando as pilhas e montando o pack.
           Afinal na melhor das hipóteses, temos um modelo simples que custa em torno de 600 reais, e que muitas vezes custamos para adquirir, e seria muito triste o quebrarmos por causa de uma bateria ruim.
           E não é só isso, um modelo sem bateria é um modelo sem controle, isto é, pode atingir um automóvel ou o que é pior, uma pessoa. Aí sim os prejuizos nem poderão ser quantificados.
          Como se pode ver incorremos num grande êrro escolhendo baterias apenas pelo preço. Aqui mais do que nunca " o barato pode sair muito caro!"
          Para termos uma bateria confiável, necessáriamente é preciso seguir a risca os seguintes passos:

          - Adquirir as células (pilhas) de um fornecedor idôneo, preferencialmente que tenha um grande volume de vendas de baterias. Isso minimizará a chance de comprarmos baterias de qualidade duvidosa uma vez que empresas grandes tem um nome a zelar no mercado e não costumam vender pilhas de baixa qualidade.
          - Comprar sempre um número maior de pilhas que o necessário para poder selecionar as melhores, deixando as "menos boas" para aplicações menos críticas ( automodelos e barcos).
          - Cuidados especiais na soldagem, sobretudo se as baterias forem de NiMh, irão garantir uma vida útil longa ao pack, bem como proporcionar que efetivamente ele forneça toda a carga especificada na bateria. Células que são submetidas a temperaturas elevadas tem sua vida encurtada e mesmo quando novas, tem sua capacidade diminuída.
          - Ciclar no mínimo três vezes o novo pack verificando se a capacidade indicada no ciclador é igual ou superior a indicada no invólucro da pilha. Pilhas novas de boa qualidade, chegam a apresentar uma capacidade de até 20% a mais daquela especificada. Qualquer valor abaixo do especificado no invólucro da pilha após os três ciclos de carga indica que a pilha não está em boas condições.
          
           Todos esses cuidados, somados a outros como uma boa soldagem, utilização de conectores e fios de boa qualidade ( importados ) , plástico PVC termo-retrátil para o acabamento final do pack, TEM UM CUSTO!
           Devemos nos lembrar entretanto, que esse custo adicional é que nos dá a segurança de estarmos utilizando uma bateria de boa qualidade, testada e o que é mais importante feita com responsabilidade.
           Muito cuidado então quando comprar baterias de alta capacidade com preços muito baixos, lembre-se que baterias boas nem sempre custam caro, mas certamente baterias muito baratas não são boas...

 

 

As baterias de Lítio

 

       Entre os aeromodelistas sempre tem um material, equipamento ou manobra que é a febre do momento. Aviões gigantes, motores a gasolina, rádios PCM, torque roll, aviões elétricos e etc.
       Atualmente, muitos aeromodelistas estão descobrindo os aviões elétricos, e olhar deles, naturalmente, se volta para as baterias de Litio.
       Vejamos um pouco sobre essas "pequenas notáveis".
       As baterias de Litio como o próprio nome diz tem o Litio como principal elemento ativo. A diferença entre os dois tipos existentes - a Li Ion e a Li Poly resulta simplemente no tipo de invólucro da célula. Enquanto a bateria normal Li Ion é fechada dentro de uma caixa metálica, a Li Poly possui uma caixa plástica, daí o sufixo Poly ( polymero ).
        A principal caracteristica da bateria de Litio é que ela tem cinco vezes a densidade de energia de outras baterias . Vale dizer que comparando o pêso de duas baterias de 2000mA por exemplo, uma de Ni Cd e outra de Litio, esta é 5 vezes mais leve ! Isso é um grande "achado" para o pessoal que gosta de voar modelos elétricos.
         Por outro lado nem tudo são flores... O Litio quando muito aquecido entra em combustão, vale dizer que a bateria NÃO EXPLODE "APENAS" PEGA FOGO !
         Da mesma forma que as baterias de NiCd e NiMh, as baterias de Lítio tem capacidade de fornecer instantaneamente altas taxas de corrente elétrica, e se por um descuido seus terminais são colocados em curto, é fumaça na hora!
        Soube de um relato no qual um aeromodelista descuidou-se com um pack de Litio em sua mão e a sua aliança fechou um curto circuito nos terminais da bateria. O resultado foi uma queimadura tão profunda que infelizmente o colega foi obrigado a amputar o dedo!
        Da mesma forma que outras baterias qualquer sobrecarga ou curto circuito imposto à bateria de Litio resultará num aumento da temperatura e da pressão interna. Como as baterias de Litio são fechadas hermeticamente em um invólucro de metal ou plástico, alguns fabricantes dotam a bateria de Litio - sobretudo as redondas do tipo AA, de um sistema de ventilação para evitar explosões. Quando se submete a bateria a uma voltagem de carga maior que a nominal também haverá o perigo de explosão.
        Na realidade a quando a bateria de Litio "explode", o Litio que sai do interior da bateria, inflama e é lançado para fora do invólucro sob a forma de CHAMA ! Esse fenômeno é conhecido pelo nome de "fuga térmica".
          A voltagem nominal de carga de uma bateria de Lítio é de 4,2 volts. Digamos que inadvertidamente colocamos a bateria para carregar em um carregador onde a voltagem está na ordem de 6 a 7 volts, após alguns minutos o eletrólito começa a “ferver” elevando a temperatura aproximadamente a 180ºF .
         Se este processo continua por mais de 30 minutos, o eletrólito que é orgânico, irá inflamar-se projetando-se para fora do invólucro da bateria. Por isso é importante que a bateria de Lítio seja carregada FORA DO MODELO e mais PREFERENCIALMENTE DURANTE UM PERÍODO QUE POSSA SER OBSERVADO O PROCESSO DE CARGA.
          É importante alertar os modelistas que pretendem utilizar esse tipo de bateria sobre todos esses riscos.
          Sobretudo aqueles que compram carregadores rápidos e querem carregar as baterias em 10 minutos !
          Saiba que você estará utilizando uma bateria que é feita com material inflamável e que se for submetida a recargas fora dos seus padrões normais, pode incendiar-se provocando sérios danos.

O aviso acima pode ser encontrado no site das empresas que vendem baterias de Lítio para RC. Um tradução literal pode ser lida abaixo.

"O uso das baterias de Lítio em aviões radiocontrolados, excedem as especificações dos fabricantes dessas baterias. Por isso, o uso dessas baterias em modelos radiocontrolados, será considerado experimental, não havendo portanto, nenhuma garantia expressa ou implícita, por parte de distribuidores, fabricantes e varejistas com respeito a vida útil, capacidade de armazenamento ou caracteristicas de descarga das baterias de Li Poly usadas em RC, nem em qualquer outro uso ou aspecto."

Bem pessoal, o aviso dispensa comentários. O uso das baterias de Lítio é por conta e risco do usuário.

 

ASPECTOS TÉCNICOS

 

               A grande vantagem técnica em utilizar as baterias de Lítio é sem dúvida o seu peso 5 vezes menor que qualquer outra bateria de igual capacidade.
               Assim mesmo essa vantagem só se mostra interessante se utilizarmos a bateria para tração ( acionamento de motor ), sobretudo nos aeromodelos elétricos onde o peso total é crítico.
               A maior limitação para o uso das baterias de Lítio em sistemas de radiocontrole é o controle preciso que elas exigem tanto no tocante a carga como na descarga. Se carregarmos demais ela "explode", se deixarmos o rádio ligado e a voltagem cair abaixo de 2,5 volts/célula, corre-se o risco da bateria não aceitar mais ser carregada, ou seja lixo para a bateria !
               Simplesmente não é possível utilizar uma bateria de Lítio sem acoplarmos a mesma um dispositivo Regulador/Monitor de voltagem. Como os sistemas de RC ( receptores e servos ) trabalham com voltagens entre 4,8v e 6,0 volts e a voltagem nominal de uma bateria composta de duas células de Lítio é de 7,2 volts ( quando carregadas esse valor pode chegar a 8,3 volts ! ) , é necesário que tenhamos um circuito regulador que entregue ao receptor/servos uma voltagem entre 5 e 6 volts.
              Por outro lado precisamos "vigiar" constantemente a voltagem da bateria para que a mesma nunca caia abaixo dos 5,0 volts ( para baterias de 7,2 volts ) , sob pena de inutilizarmos a mesma. Precisamos então também de um Monitor de voltagem que DESLIGUE a bateria do equipamento quando o valor mínimo for atingido.
             Na prática os parâmetros acima, assim como a corrente instantânea que a bateria está entregando e ainda um circuito de proteção contra curto-circuito ficam todos a cargo do Regulador.

 
     Regulador disponível no site da Tower

            Outro componente importante quando se utilizam baterias de Lítio é o Carregador.
            Os carregadores normalmente utilizados para as baterias de NiCd e NiMh bem como os cicladores, NÃO SERVEM PARA AS BATERIAS DE LÍTIO !
             As baterias de Lítio necessitam de carregadores que forneçam corrente constante e voltagem constante e não podem ter a função de PEAK CHARGE ( sensor que desliga o carregador quando a bateria chega na carga máxima ), ou seja todos os carregadores e cicladores que você utiliza para as baterias de NiCd e NiMh, não servem!
                     

Carregador e Ciclador programável que pode ser utilizado para carregar baterias de Lítio
 
  

COMPARATIVO DE CUSTOS                  

 

               Para que se tenha uma idéia compare os valores abaixo, em dólar, obtidos no site da Tower.

             Bateria de 7,2 volts x 700mA LíPoly      US 24,49    x       Bateria de 4,8v x 600mA NiCd        US 17,99
             Bateria de 7,2 volts x 1500mA LíPoly    US 35,99    x       Bateria de 4,8v x 1000mA NiCd      US 37,99
             Bateria de 7,2 volts x 2200mA LíPoly    US 56,60    x       Bateria de 4,8v x 2000mA NiMh      US 49,99

            Como se pode ver a diferença de preços, lá nos EUA, não é muito significativa. Não esqueçamos entretanto que se optarmos pela baterias de Lítio, necessáriamente precisaremos comprar o Regulador de Voltagem e o Carregador.
            Os preços dos reguladores variam de US 19,00 a US 60,00 dependendo a complexidade. Os carregadores também sofrem uma variação entre US 83,00 a US 130,00 ( caso do ciclador da foto acima )

  

 

 

 

Carregando as baterias

 

1. Geral

     Inicialmente vamos esclarecer duas coisas:
 

    a) Embora sejam popularmente utilizados como sinônimos, BATERIA e PILHA são coisas diferentes.
        A BATERIA ARMAZENA a energia que lhe foi entregue préviamente enquanto a PILHA GERA energia.
    b) Tudo que for falado neste texto é aplicado tanto para baterias de Níquel Cádmio ( NiCd ) como Níquel Metal Hidreto
( NiMH )
          
   
  Primeiramente convém lembrar a diferença entre uma bateria recarregável e uma pilha .
     Embora ambas tenham o mesmo princípio de funcionamento, a geração de energia elétrica a partir de uma reação química,
numa pilha comum irreversível ( acontece uma só vez ), enquanto nas baterias recarregáveis a reação é reversível ( pode ser repetida inúmeras vezes ).
     Vejamos o que isso quer dizer.
      Numa pilha comum, os elementos químicos internos combinam-se produzindo nos terminais da pilha uma determinada voltagem ( geralmente 1,5 volts ). Ao ligar essa pilha num equipamento qualquer, esse irá "puxar" uma corrente elétrica, obrigando a pilha a produzir mais energia.
      Isso faz com que os componentes internos da pilha mantenham-se reagindo.
      Não precisa ser nenhum "expert" no assunto para concluir que depois de um determinado tempo a reação vai enfraquecendo até cessar completamente. Nesse momento dizemos que a pilha "gastou", ou seja, não tem mais como produzir energia elétrica.
      Isso acontece porque os elementos internos da pilha não reagem mais, eles simplesmente esgotaram-se.
      Por isso a pilha é um dispositivo GERADOR DE ENERGIA ELÉTRICA, ou seja desde o momento da sua fabricação
imediatamente aparece em seus terminais uma voltagem. Como vemos uma pilha já "nasce" carregada !

      Na bateria recarregável, duas coisas diferem da pilha comum. A voltagem é de 1,25 volts e os elementos internos são recombináveis.
      É justamente essa última característica que vai permitir que a bateria seja novamente carregada.
      A bateria recarregável logo depois de construída, necessita ser carregada sob pena de não poder ser utilizada. Isso porque diferente da pilha comum que imediatamente começa a produzir energia, a bateria se mantém neutra, aparecendo em seus terminais apenas uma pequena .
      Ao fazer uma corrente elétrica atravessar a bateria , essa passará a acumular parte da energia aplicada.
      Como em toda a reação quimica, o processo de carregamento da bateria continuará até que os seus elementos quimicos não consigam mais se combinar para acumular energia. Nesse ponto dizemos que a bateria está completamente carregada. Se prosseguirmos o processo de carga além desse ponto, teremos a formação excessiva de gases e o aumento da temperatura.

      Durante a descarga a bateria libera a energia acumulada produzinda por uma reação INVERSA daquela que ocorre durante a carga.
      Essa caracteristica, carga -  descarga - carga , possibilita a utilização da bateria inúmeras vezes.
      Mesmo sendo feitas com elementos que podem se recombinar muitas vezes, as baterias recarregáveis também tem um determinado tempo de vida útil, quando começam gradativamente a perder a capacidade de reter a carga.
      A durabilidade da bateria é especificada pelo fabricante, e é expressa em CICLOS ou RECARGAS. Entenda-se um ciclo como quantas vezes a bateria pode ser descarregada e carregada novamente.
      Por exemplo as baterias de NiCd tem sua vida média estabelecida em 1000 recargas.
      Já as baterias de NiMh tem a vida um pouco mais curta, 600 ou 700 recargas dependendo do fabricante.
      O número de recargas definido pelo fabricante, assim como a capacidade da bateria ( expressa em mA/h )   É SEMPRE O MÍNIMO .
      Vale dizer então que na prática, se a bateria for bem cuidada esses números serão maiores.
      

 

2. Tipos de carregadores

    Os carregadores para as baterias de NiCd e NiMh são básicamente de dois tipos:
    Voltagem Constante e Corrente Constante.

    Carregador de Voltagem Constante
    
É o carregador mais comum porque é mais simples e barato de ser construído. Nesse modelo de carregador a voltagem aplicada na bateria é alguns volts acima da voltagem máxima que a bateria vai apresentar quando estiver carregada. Não possui nenhum circuito para controlar a carga apenas um pequeno resistor que limita a corrente para a bateria quando esta estiver descarregada. Ná prática o próprio carregador se "auto regula", ou seja, como a voltagem fornecida é sempre a mesma, no início da carga, quando a bateria está sem carga a corrente fornecida pelo carregador é máxima, geralmente 10 a 20% maior que a corrente nominal da bateria ( C/10 - 10% da capacidade da bateria ). A medida que a bateria é carregada a sua voltagem vai aumentando aproximando-se cada vez mais da voltagem fornecida pelo carregador. Consequentemente a corrente de carga vai diminuindo proporcionalmente também. Até que no final do período de carga estando as voltagens do carregador e da bateria bem próximas, a corrente fica reduzida a uns poucos miliamperes (mA).
    Esta é a principal vantagem desse tipo de carregador, se o modelista esquecer ele ligado na bateria por um período maior que o necessário, difícilmente danificará a bateria por sobrecarga. É claro que esse tempo extra tem limite e estamos falando de algumas horas a mais e não alguns dias !
    
Os carregadores que se enquadram nesse tipo são aqueles fornecidos pelos fabricantes de RC. Também conhecidos pelos nomes "wall chargers" - carregadores de parede e " over night chargers" - carregadores noturnos, fazendo alusão que o período de carga extende-se por toda a noite.
     

Carregador de Corrente Constante

    Este tipo de carregador é o indicado pelos fabricantes para carregar as baterias de NiCc e NiMh, porque permitem um processo de carga mais linear fazendo com que se consiga maior rendimento da bateria. Isso porque, sabendo-se a capacidade da bateria que se quer carregar e também qual a corrente que o carregador fornece continuamente, podemos fácilmente determinar o numero exato de horas que a bateria ficará carregada totalmente.
    Composto de um circuito mais complexo que o tipo anterior, óbviamente é mais caro.
    Os modelos mais simples são constituídos de uma fonte de corrente constante e um timer que desliga o carregador depois de um período pré determinado. Geralmente são projetados para carregar um numero de 1 a 8 baterias que é a faixa que se encontram a maioria dos packs de RC..
    Já os modelos mais sofisticados além da fonte de corrente possuem microprocessadores que controlam os parâmetros mais importantes do carregador, tais como: Número de células a serem carregadas ( 1 a 30 ) , valor da corrente de carga  ( de alguns miliampéres (mA ) até vários ampéres ( A ) e finalmente o tempo que deve durar a carga.
    A presença de um dispositivo de controle do tempo de carga é necessário porque ao contrário do carregador de voltagem constante onde a corrente de carga ia diminuindo com o passar do tempo, nesse carregador como o próprio nome diz a corrente de carga se mantém constante enquanto ele estiver ligado na bateria.
   Como exemplos desses carregadores podemos citar o Super Cycler, o Accu Cycler, Infinity e outros cicladores, cujos sistemas de carga utilizam carregadores de corrente constante.

3. Tempo de carga

   
   Considerando que a principal caracteristica da bateria é capacidade de armazenar energia expressa em miliamperes/hora (mA/h ), a duração da carga é, juntamente com a corrente de carga, o parâmetro mais importante do processo de carga das baterias de NiCd e NiMh.
        Utilizando-se um carregador de corrente constante, podemos estabelecer a relação corrente de carga / tempo de carga que melhor nos agradar. Digamos que temos um carregador totalmente programável e queremos carregar uma bateria de 600mA/h. Se quisermos aplicar uma carga LENTA ( C/10 ou 10% da capacidade da bateria ), programaríamos o carregador para 60mA de corrente de carga durante um tempo de 14 horas. Aqui cabe um parêntesis. Muita gente se pergunta:
        - Se a bateria é de 600mA, e a carga é de 60mA ( 10% ) o tempo de carga não seria de 10 HORAS ? Porque são necessárias 14 HORAS então?
        Essas quatro horas a mais são necessárias porque embora o carregador forneça uma carga em regime constante, as reações químicas no interior da bateria não se processam linearmente, e esses 40% a mais de tempo garantem que a reação no interior da bateria será completa ela estará completamente carregada.
         Nada impede porem que o tempo de carga seja reduzido pelo aumento da corrente de carga. A regra é direta e simples.

        60mA ---> 14 horas
      120mA --->  7 horas

      240mA --->  3,5 horas

      É claro que essa relação tem seus limites senão poderíamos concluir que:

      600mA ---> 1 hora
 2400 mA ---> 15 minutos !
 9600mA --- >  3,5 minutos !!!

 

     Lógicamente com essa corrente de carga altíssima só conseguiríamos " explodir" a bateria em nossas mãos !
     Alías, esse raciocínio aqui colocado em forma de piada TEM SIDO EMPREGADO POR ALGUNS AEROMODELISTAS QUE DISPÕE DE CARREGADORES PROGRAMÁVEIS !
     É verdade que já soube de algumas mãos queimadas por baterias que literalmente "ferveram" !
    A maioria dos fabricantes de baterias de NiCd e NiMh recomendam que a carga rápida ( FAST CHARGE ) aplicada nas baterias não exceda o valor da capacidade da mesma ( C ). Com isso a carga estaria completa em 1 HORA .
    Outro fator que deve ser levado em consideração quando se aplica carga rápida numa bateria é a temperatura.
    Um boa relação corrente de carga / tempo de carga irá produzir um leve aquecimento na bateria nos minutos finais da carga.
O aquecimento excessivo da bateria indica que ou a corrente de carga está elevada, ou o tempo de carga está muito longo ou ambos.
     Sempre que possível carregue as suas baterias com carga LENTA ( 14 - 16 horas ) com uma corrente de carga de C/10. Essa prática extenderá a vida das baterias por muitos anos em perfeitas condições.


4. Cuidados.

  
  1. Descarregue SEMPRE a bateria antes de carregar novamente.
        Observe sempre esse cuidado mesmo que a bateria seja de Metal Hidreto ( NiMh ) porque embora elas não apresentem o         efeito memória, carregar uma bateria que ainda tem carga certamente irá aquecê-la demasiadamente, principalmente se o         carregador for do tipo Corrente Constante.                             
    2. Cuide para que a polaridade do carregador seja a mesma da bateria, sobretudo nos equipamentos onde os conectores         possam ser colocados invertidos.
    3. Controle a temperatura. Quando for utilizar métodos de carga não ortodoxos, faça isso durante o dia quando você ou         alguem pode ficar observando a bateria. Isso evitará que a bateria possa "incendiar" enquanto você dorme tranqüilamente !
    

MR

   

 

Equivalência Entre Baterias Recarregáveis*

Tipo NiCd NiMh Lítio/Metal Chumbo/Ácido
Fabricante Sanyo Sanyo Tadiran Gates
Modelo N600AAC HR-AA TLR-7103 810-0004
Tamanho AA AA AA D
Voltagem da célula 1,2V 1,2V 3,6V 2V
Capacidade em mA/h 600 1250 800 2500
Potência em watt/hora 720 1500 2400 5000
Peso em gramas 23 27 17 1800
Densidade de potência [W.h/g] 31 56 140 28
Densidade de potência em relação a NiCd 1x 1,8x 4,5x .9x
Custo em relação a NiCd 1x 2x 5x .5x
Voltagem da célula com carga completa 1,4 1,4 3.4 2.4
Tensão mínima sob carga 0,8 1 2 1
Taxa máxima de carga em relação a capacidade 2 X 1 X 0,25 X 0,33 X
Taxa máxima de descarga em relação a capacidade 20 X 10 X 2,5 X 5 X
Resistência interna em miliOhms 16 30 60 120
Numero de ciclos de carga ( Vida util ) 2000 500 400 300
Percentual mensal de auto descarga 15% 20% 1% 10%

 

NiCd - Níquel Cádmio
NiMh - Níquel Metal Hidreto

*fonte: Revista SE Modeler Vol.4 no.3

 

 

A voltagem da bateria

 

               Uma duvida muito freqüente entre os aeromodelistas é como medir a voltagem da bateria do receptor.
               No transmissor mal ou bem existe sempre um dispositivo para indicar ao modelista " a quantas anda" a voltagem da bateria, seja diretamente através de um medidor analógico ( com ponteiro ) ,medidor digital no display do rádio,ou ainda através de Leds coloridos.
               No receptor porém, estamos "as cegas ". A unica maneira de termos certeza que a bateria está bem carregada é aplicar uma carga completa na mesma. Ainda assim se a bateria já tiver alguns anos de uso, poderá ocorrer que uma ou mais células ( pilhas que compõe o pack ) tenham problemas fazendo com que a bateria perca a carga rápidamente mesmo depois de completamente carregada.
               É então imperativo que o aeromodelista possa MEDIR a voltagem da bateria do receptor, pois só assim poderá voar com tranquilidade.
               Medir a voltagem de uma bateria é uma tarefa muito simples, mesmo para alguém que não entenda nada de eletricidade ou eletrônica. Basta que tenhamos um MULTIMETRO DIGITAL desses que se encontra até nas bancas dos camelôs no centro da cidade. Essa conclusão, a que chegam muitos aeromodelistas, está correta, porém incompleta. Vejamos porque.
               Quando colocamos as ponteiras do MULTÍMETRO nos terminais de uma bateria, ( isso vale para QUALQUER TIPO DE BATERIA OU PILHA ) a voltagem indicada no display do instrumento é chamada de VOLTAGEM A VAZIO ou VOLTAGEM SEM CARGA. Isso porque não existe nada ligado na bateria além do instrumento.
               A palavra CARGA aqui é empregada com o sentido de "peso", ou seja, uma RESISTÊNCIA ELÉTRICA que ligada nos terminais da bateria drena uma certa quantidade de corrente elétrica, provocando uma diminuição na voltagem.
Na prática essa carga é representada pelo receptor e pelos servos.
               Logo é fácil concluir que a voltagem a vazio não deve servir de base para que se chegue a conclusão que a bateria esta carregada ou não, afinal a bateria não fica desligada dentro do avião! . Na hora em que ela for ligada ao receptor e aos servos ai sim teremos a condição normal de trabalho, ou seja, a situação real. É pois, nessa condição que devemos fazer a medida de voltagem e ai teremos a medida de VOLTAGEM COM CARGA.
               Como o consumo de energia varia muito dependendo do modelo do servo utilizado e do tipo de superfície que ele comanda, de uma maneira geral, considera-se que o consumo médio de um avião com 4 servos comuns fique entre 200 a 250mA . É esse o valor da carga que deve ser drenado da bateria de 600 mA no momento em que se faz a medida da voltagem. Ou seja, aproximadamente 1/3 da capacidade nominal .  Lógicamente para bateria com maior capacidade essa relação deve ser mantida a fim de que a carga solicitada na hora da medida seja sempre proporcional a capacidade.

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Os medidores


               A medida da voltagem como foi mencionada anteriormente pode ser feita de várias maneiras. Utilizando-se um MULTIMETRO DIGITAL a precisão e a facilidade da leitura serão excelentes, porém nem todos aeromodelistas sabem como operar um instrumento desse tipo, até porque, como o próprio nome diz ele pode ser utilizado para medições de várias grandezas elétricas alem da voltagem.
              É necessario também fazer um pequeno arranjo entre os fios do instrumento e a bateria colocado-se um outro componente eletrônico chamado RESISTOR cujo valor deve ser calculado para prover uma drenagem de corrente da ordem de 200 a 250mA conforme mencionado anteriormente.
               Isso está longe de ser um "bicho de 7 cabeças" para quem é familiarizado com eletrônica, mas pode ser um bicho até mais feio para quem não entende nada da materia.
              Todo mundo que lida com baterias sabe o que acontece quando os fios positivo e negativo são encostados um no outro! Ou pior quando a bateria é ligada invertida ! Por isso não aconselho a ninguém fazer experiências com baterias.
              Existem nas lojas de modelismo medidores apropriados para realizar essa medição, eles já trazem internamente o resistor de carga e fazem medidas tanto na bateria do transmissor como do receptor. São os chamados ESV ( Expanded Scale Voltmeter ) ou Voltímetros de Escala Expandida. Esses medidores, como o próprio nome diz, possuem uma escala expandida onde os valores da voltagem são bem fáceis de serem lidos.
              São medidores ANALÓGICOS onde a indicação da voltagem é feita através de um ponteiro e a precisão da leitura é muito boa para o fim a que se destina.
              Últimamente apareceu no mercado um outro medidor para bateria, nesse caso específicamente para a bateria do receptor, cuja indicação é feita através de uma linha de Leds coloridos. O mais comum é o Volt Watch da Hobbico. É um aparelhinho minúsculo que já é equipado com um terminal com um conector específico ( Futaba- JR) e que pode ser ligado diretamente num canal vago do receptor e ali permanecer continuamente. Convém lembrar que esse medidor NÃO COLOCA CARGA NA BATERIA PARA FAZER A MEDIDA DA VOLTAGEM. Ele consome apenas 10mA da bateria e portanto não deve ser ligado diretamente na bateria pois seria a mesma coisa que medir a bateria SEM CARGA. Uma vez ligado no receptor ai sim a informação da voltagem passa ser confiável uma vez que os servos e próprio receptor estão consumindo energia da bateria.


 

           ESV                                             MULTÍMETRO DIGITAL                                   VOLT WATCH

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A voltagem medida

 

                Depois de compreender como é feita a medida da bateria e qual o tipo de instrumento utilizar, o aeromodelista muitas vezes ainda fica com outra dúvida. Afinal qual é a voltagem correta para utilização da bateria com segurança?
                A pergunta correta seria: Qual é a faixa de voltagem segura para usar a bateria com segurança?
                Essa pergunta faz sentido porque na prática uma bateria completamente carregada apresenta vários valores de voltagem nos seus terminais até a descarga completa
                 As baterias de NiCd e NiMH apresentam uma caracteristica particular, mantendo uma voltagem de aproximadamente 1,23 volts práticamente constante durante a maior parte do tempo em que a bateria esta sendo descarregada. É justamente nesse patamar que a bateria pode ser utilizada com plena segurança.
                Observe o gráfico abaixo.

                 Na columa vertival temos a voltagem da bateria e na linha horizontal o tempo em minutos que a bateria demora para ser descarregada.
                 No momento em que se inicia a descarga a voltagem da bateria é de 5,6 volts - ponto A da curva.
                 Após 25 minutos a voltagem cai para 5,0 volts - ponto B da curva. A partir deste ponto a voltagem da bateria fica práticamente estabilizada em 4,9 volts. Observe a mesma se mantem dentro desse patamar por quase 2 horas. Ao atingir o ponto C da curva, 4,8 volts a bateria entra numa curva acentuada de queda de voltagem chegando aos 4,4 volts ponto D em apenas 45 minutos. Desse ponto em diante, embora não seja mostrado no gráfico a voltagem cai para ZERO volts em poucos minutos.
                 Esse gráfico mostra uma curva PADRÃO para uma bateria NOVA com as células em perfeito estado de funcionamento. Note que as curvas entre os pontos A e B e os pontos C e D são valores de referência para esse gráfico, e dependendo do estado da bateria utilizada, poderão assumir valores ligeiramente diferentes.
                 A faixa que fica entre os pontos B e C ou seja, 5,0 até 4,8 volts é que deve ser levada em conta para autilização da bateria. Ao atingir os 4,8 volts não é aconselhavél utilizar mais a bateria, porque dependendo do estado de conservação da mesma a queda da voltagem representada pelos pontos C e D pode ser bem mais rápida que a mostrada no gráfico.
                 Então pessoal pelo que foi visto aqui, se você medir a bateria do receptor e a voltagem for 4,8 volts ou menor, NÃO VOE ! Quanto mais próxima a voltagem estiver dos 4,8 volts, mais atenção você deve ter. Se for necessário continuar voando, faça uma medida na bateria cada vez que pousar o avião.
                 Outra conclusão interessante que podemos tirar dessa matéria é que se voçê carregar a sua bateria de 600mA durante 15 horas e for voar, ela obrigatóriamente deve lhe proporcionar NO MÍNIMO DUAS HORAS DE VÔO. Portanto baterias que baixam a voltagem rápidamente, depois de 4 a 5 vôos DEVEM SER SUBSTITUIDAS porque não estão mais "segurando" carga.
                 Espero ter contribuido para esclarecer aos colegas sob esse importante assunto. Perdoem-me os mais afeitos a matéria pela linguagem simples, mas de outra forma não conseguiria atingir a maioria dos aeromodelistas que não tem por dever de ofício o conhecimento de eletrônica.

                MANO

 

A Síndrome do Fio Preto

          Todos nós aeromodelistas, devemos ter um cuidado especial com nossas baterias de níquel-cádmio, afinal elas são uma das partes mais importantes, se não a mais importante, do nosso equipamento de vôo.
          Infelizmente, a grande maioria de colegas, mesmo os mais antigos, não dispõe de maiores conhecimentos sobre as baterias recarregáveis. Sempre que se fala em baterias de níquel-cádmio (Ni-Cd), a primeira coisa que todo mundo fala é no "efeito memória". Fenômeno que se caracteriza pela rapidez com que a bateria se descarrega durante o uso, fenômeno esse, provocado por sucessivas recargas sem que a bateria tenha se descarregado completamente. Não tendo sido descarregada totalmente, a bateria cria uma "memória química", fazendo com que a sua voltagem mínima fique mais elevada, portanto mais próxima da voltagem máxima; ora quanto mais próximos ficarem esses valores, menor será o tempo que poderemos utilizar a bateria, pois abaixo da voltagem mínima, a bateria se descarrega rapidamente. Exemplificando, uma bateria normal tem sua voltagem mínima entre 0,9 e 1,0 volt e sua voltagem máxima na ordem de 1,25 volt. Isso quer dizer que se considerarmos um pack normal da Futaba que utiliza baterias de 500 mA/hora, podemos drenar desse pack 500mA durante uma hora até que a voltagem chegue ao seu valor mínimo, a partir do qual como já foi mencionado acima, a corrente e a voltagem caem rapidamente esgotando a bateria.
          Suponhamos agora que a tensão mínima da nossa bateria, devido a "memória" é de 1,15 volt. Realizando uma simples regra-de-tres concluímos que o tempo de utilização da mesma, durante o qual poderemos drenar a corrente de 500 mA cai de uma hora para 24 minutos ! Ou seja, menos da metade do tempo de uma bateria normal. Ou 60 minutos -> 0,25 volt
                   X minutos -> 0,10 volt           x=24 min.

          Sem dúvida esse é um problema que deve ser evitado através de uma descarga completa da bateria sempre que possível.
          Muita atenção para o termo "descarga completa" isso não quer dizer deixar o rádio ligado até esgotar a bateria! Pelo contrário se isso acontecer proposital ou inadvertidamente, teremos muita sorte se nossa bateria não se danificar durante o processo de recarga.
          Inicialmente vamos deixar claro a existência de apenas três maneiras de danificarmos baterias de Ni-Cd:

          1o - Deixando-as em carga por um tempo maior que o necessário.
          2o - Descarregando-as totalmente abaixo de sua voltagem mínima.
          3o - Expondo-as ao calor.

          Vejamos então o porquê das afirmativas acima.
          Uma bateria de Ni-Cd funciona pela reação química entre os dois metais presentes em seu interior separados por uma camada de eletrólito (sal químico responsável pela condução da corrente elétrica entre os metais). Essa pequena "bomba química" funciona maravilhosamente enquanto observarmos atentamente seus limites.
          Visando prevenir acidentes com os usuários, os fabricantes colocam em cada bateria uma válvula de segurança, a fim de literalmente evitar a explosão da mesma em caso de mau uso. A válvula de segurança tem a finalidade de "ventilar" a bateria, ou seja diminuir a pressão interna formada pelos elementos e originada pelo aumento da temperatura. Ocorre que quando essa válvula abre ela não volta mais a posição anterior, ou seja fica sempre aberta, permitindo que o eletrólito escape e consequentemente inutilizando a bateria.
          Quando isso acontece dizemos que a bateria "ventilou".
          Existe outra situação em que a bateria "ventila". Ela acontece quando deixamos o pack muito tempo desativado e a voltagem cai abaixo do valor mínimo de cada bateria, isso porque, o mecanismo de vedação precisa de uma voltagem mínima para continuar vedando a bateria.
          Outro problema que pode acontecer quando recarregamos um pack totalmente esgotado, é a inversão de polaridade de alguma bateria integrante do mesmo, provocando uma diminuição no valor da voltagem final do conjunto.
          Vamos esclarecer; o tempo longo a que nos referimos é um intervalo de meses ou anos e não simplesmente aqueles dois ou três dias em que o rádio permaneceu ligado, porque esquecemos de desligar a chave do rádio após o vôo.
          Resumindo. Observe o tempo recomendado pelo fabricante para carregar suas baterias. Tempo demais em carga gera aquecimento, provoca ventilação e lá se foi o seu pack. Lembre-se também que o tempo recomendado, geralmente 14 a 15 horas para packs de 500mA/h, deve ser aplicado se a bateria tiver totalmente descarregada! Se você carregou totalmente seu pack, foi para o campo e manteve seu rádio ligado apenas 20 ou 30 minutos, obviamente se a bateria ficar por 14 horas em carga ela aquecerá.
          Nunca deixe seu pack muito tempo "encostado" sem antes carregá-lo completamente. Verifique-o sempre no menor período de tempo possível. Convém lembrar também que as baterias que compõe o pack nunca são exatamente iguais no tocante aos parâmetro internos, isso quer dizer que num pack de 4 ou 8 baterias, uma ou mais podem apresentar defeito, enquanto outras se manterão operacionais por maior período de tempo.
          Um dos sintomas que seu pack não esta OK , é o aparecimento de uma oxidação azulada nos terminais do fio negativo (preto) do se pack. Essa oxidação é proveniente do deslocamento do eletrólito de alguma bateria do pack que ventilou, devido a uma das ocorrências mencionadas acima.
          Tratando-se do pack do transmissor, essa oxidação pode chegar até os terminais da chave liga/desliga, passando pelo conector de ligação do pack com a placa do circuito do rádio. Nesse caso, além de substituir a bateria danificada ou o pack completo dependendo do caso, é necessário substituir a fiação comprometida.
          O aparecimento de um óxido branco nos terminais da bateria, quase sempre indica que a mesma ventilou, e portanto está inoperante no pack.
          Os fabricantes garantem que as baterias suportam cerca de 1000 recargas durante a sua vida útil. Considerando que se utilizasse a baterias todos os fins de semana , no período de um ano, teríamos mais ou menos 100 recargas. Ora isso daria uma vida útil de aproximadamente 10 anos para a bateria. Como não utilizamos a bateria com essa freqüência, e não a recarregamos corretamente, na média baterias com 3 ou anos de uso devem ser substituídas, ou inspecionadas com bastante regularidade.
          Agora que você já sabe um pouco sobre as baterias de Ni-Cd, a pergunta lógica é: Como posso cuidar melhor dos meus packs ?
          Vamos ver. Muitos colegas acreditam que para uma boa conservação da bateria é necessário submetê-la a um ciclador. Para quem eventualmente não conheça esse termo, CICLADOR é um equipamento eletrônico razoavelmente sofisticado, que cicla o pack. Ciclar uma bateria nada mais é submeter a mesma a um regime tal que a descarregue até um valor mínimo de voltagem ( geralmente da ordem de 0,9 a 1 volt por bateria ); após recarregue-a durante um número determinado de horas ( 14,15,etc), voltando a descarrega-la com uma corrente pré-determinada pelo usuário, enquanto um cronometro interno monitora o tempo de descarga a fim de fornecer uma indicação da capacidade do pack.
          Existem vários tipos de cicladores com as mais variadas opções e consequentemente os mais variados preços.
          Ora não é necessário um investimento desse porte para ciclar uma bateria. Seria a mesma coisa que nos submetermos a um check up cardiológico sempre que quiséssemos andar numa esteira. Não é mais fácil comprar só a esteira? Deixemos o check up completo quando desejarmos avaliar o estado geral do nosso organismo.
          A "esteira" no nosso caso, é um aparelhinho eletrônico bem simples que conectado a bateria do receptor e do transmissor a descarrega até o valor mínimo, após o qual se auto desliga. Depois com as baterias descarregadas, podemos liga-las ao carregador por 14 horas sem medo de aquecimento, memória, ventilação ou qualquer outro problema. Pronto! Nossa bateria esta "ciclada".
          Esse procedimento simples fará com nossas baterias no proporcionem bons vôos com o máximo de segurança e o mínimo de custo.
          Para maiores informações, estou a disposição dos colegas:
 

 

Artigo publicado na revista Modelismo Em Notícias nº40 de maio/jun 99.


 

Baterias

           A bateria é, sem dúvida, a maior causadora de quedas de aeromodelos. A carga inadequada, o efeito "memória" e a falta de manutenção nos terminais transformam os packs em "vilões". Siga as dicas abaixo e você nunca terá problemas com suas baterias.

           - Baterias de NiCd ( Níquel-Cádmio ) não gostam de calor portanto mantenha-as em lugares onde a temperatura não exceda os 25ºC.

           - Não coloque suas baterias para recarregar sem que as mesmas tenham sido completamente descarregadas ( Não zeradas! ) . Utilize um ciclador ou um descarregador controlado para impedir que a voltagem da bateria chegue a 0 volts durante a descarga.

          - Durante o verão em regiões onde a temperatura ambiente é muito elevada, mantenha os packs que não estão sendo usados dentro da geladeira
( Não do freezer! )

          - Não utilize o rádio para descarregar as baterias, você estará sobrecarregando o circuito do rádio ( ele não foi projetado para ficar ligado por 3 horas ou mais ), além do que os medidores analógicos dos rádios não tem precisão suficiente para você saber a hora exata de parar a descarga.

           - Quando alguma bateria no pack apresentar problema, substitua o pack todo, pois as baterias restantes também irão falhar dentro de pouco tempo.

           - Sempre que for possível carregue suas baterias com carga lenta ( C/10 ), ou seja, 10% da capacidade do pack

           - Programe a descarga do pack com uma corrente de no máximo 50% da capacidade do pack. Se não tiver pressa reduza esse valor para 30%. ( As baterias funcionam através de reações quimicas que quando são "apressadas" liberam grande quantidade de calor)

           - Observe o terminal negativo ( prêto ) do pack. Se ele estiver oxidado ( envolto num pó azulado ), é uma indicação clara que alguma célula do pack "ventilou" ( vazou ). Portanto, mesmo que a bateria aparentemente esteja OK, prepare-se para substituí-la pois em breve ela deixará você "na mão".

           - As baterias de NiMh ( Níquel Metal Hidreto) devem ser carregadas da mesma forma que as de NiCd.

 

 

 

Soldar ou não soldar as pilhas?

 

                       Como "fabricante" de packs de baterias para R/C e muito antes disso montando packs para rádios portáteis de VHF profissionais, tenho um vasta literatura sobre baterias recarregáveis de NiCd. Existem duas correntes entre o pessoal (sobretudo os modelistas) que trabalham com a montagem de packs de NiCd. Uns são veementemente contrários a soldagem das pilhas com estanho e outros defendem a idéia de que uma soldagem bem feita não danifica as pilhas e portanto, não há o menor problema nessa prática. Vejamos as razões alegadas por uns e por outros.

                      Os defensores da solda a ponto, ( tipo de solda industrial utilizada nos packs comerciais, onde uma pequena tira de metal é soldada entre uma pilha e outra, através de pequenos pontos produzidos por uma máquina elétrica formando um "curto circuito" entre a chapa e o corpo da pilha, gerando um ponto de fusão entre as duas superfícies) alegam que esse tipo de soldagem é o ideal pela pequena quantidade de calor produzida no local, e portanto não expondo a pilha ao calor exagerado tão maléfico para esse tipo de dispositivo.
                     Outra alegação é de que no polo positivo da pilha existe um anel de vedação feito de material similar ao nylon, que não resiste a altas temperaturas, cuja finalidade é evitar que o eletrólito da pilha "vaze" para o exterior danificando a mesma. Esse anel não resistiria a temperatura elevada da solda a estanho e seria danificado.
                     Salientam também essas pessoas que a prova maior de que os packs devem ser feitos com a solda a ponto é que as próprias fabricas utilizam esse método, portanto deve ser o melhor!
                     Outro perigo de se soldar baterias de NiCd com estanho, segundo ainda esses senhores, é o da explosão da pilha devido ao aumento da pressão interna provocada pela alta temperatura que faria o eletrólito "ferver" gerando gases e transformando a pilha numa "bomba".
    

                     Já o grupo que defende a soldagem das baterias ( no qual eu me incluo ), rebate uma a uma as razões acima argumentando que:
                     Primeiro - O calor produzido numa solda a estanho, desde que se utilize um soldador compatível com a massa metálica da pilha que se deseja soldar, é sómente um pouco maior que aquele produzido numa solda a ponto, sobretudo se antes de fazermos a solda resfriarmos a pilha num refrigerador
                    Segundo - Com o processo acima descrito, a vedação da pilha fica intacta e não haverá riscos de vazamento.
                    Terceiro - As fábricas utilizam a solda a ponto não só porque gera menos calor mas também porque representa um custo menor que a solda a estanho, se não é óbvio que seria usada essa última.
                    Quarto - Quanto ao perigo da explosão, nos meus quase 30 anos de serviços na área de telecomunicações, nunca vi nem ouvi falar nem tampouco li na literatura especializada que uma bateria explodiu porque um sujeito estava soldando os seus polos com estanho !

                     Agora um pouco da minha experiência no dia-a-dia. Faço packs de baterias de NiCd e mais recentemente de NiMh a mais de 20 anos e para todos os fins, desde brinquedos até equipamentos profissionais e todos eles SOLDADOS COM ESTANHO, sem NUNCA ter tido problemas. Chegam as minhas mãos porém, radiocontroles com packs que custo a entender como é que o camarada que literalmente "colou" os fios nas baterias, conseguiu fazer com que os mesmos ficassem presos no lugar ! Isso demonstra o uso de um soldador inadequado, de paquena caloria e provávelmente tenha esquentado bastante todo o corpo da pilha para tentar a soldagem. É esse tipo de procedimento que danifica a pilha além de não ter nenhuma confiabilidade elétrica ou mecânica.
                      Para mim não haveria problema em adquirir uma máquina de solda a ponto para montar os packs, o problema é que esse tipo de equipamento tem custo elevado e certamente teria que repassar esse custo aos clientes. Se levarmos em consideração a relação custo benefício ( durabilidade de um pack feito com solda a ponto ou solda a estanho ), para o cliente seria indiferente pois a garantia de troca em caso de problemas seria a mesma. Ou seja se voce comprar um pack feito por uma pessoa capacitada profissiononalmente e utilizá-lo por alguns anos sem problemas nenhum, o que vai interessar a voce se ele é soldado com estanho ou com solda a ponto? Ou por acaso quando voce vai se submeter a uma cirurgia costuma indagar do médico qual o tipo de fio vai utilizar nos seus ponto? Não, não é? Voce simplesmente escolhe da melhor maneira que puder o profissional e confia que ele faça corretamente o seu trabalho!

                    Para encerrar, veja algumas fotos de um artigo publicado na revista inglesa AVIATION MODELER de setembro de 1998 onde um experiente modelista ensina exatamente como proceder a montagem de packs de baterias soldados com estanho. Como esse artigo, que assina revistas importadas volta e meia encontra esse tipo de explicação, visando facilitar a vida,e o bolso dos modelistas.

                 

Nas fotos acima a esquerda podemos ver o articulista ensinando como fazer a soldagem das baterias com estanho. Na direita vemos a interligação das células com "tabs" de latão ou cobre novamente soldados com estanho.

 

Atenção com as suas baterias

 

                  As baterias recarregáveis são o coração do seu equipamento de radiocontrole. O cuidado com a utilização e conservação das mesmas irá garantir que você possa praticar seu hobby com segurança e manter intacto o seu modelo. Por isso atente para as recomendações abaixo pois elas garantirão uma vida longa para os seus packs de baterias permitindo que você desfrute de bons momentos no controle de seus modelos.

                  - Ao comprar uma bateria nova, não a utilize sem antes submetê-la a NO MÍNIMO 3 CICLOS DE CARGA.
                  
 A bateria só atinge a sua capacidade máxima de fornecer energia após 3 ou 4 ciclos de carga. Um ciclo de carga = Descarregar - Carregar

                 - Não deixe suas baterias inoperantes por longos períodos. Preferencialmente carregue-os uma vez por mês. - Em regiões onde a temperatura ambiente é maior do que 25 º C, mantenha as baterias não utilizados no refrigerador dentro de um saco plástico
                 
Temperaturas ambientes maiores do que 25ºC aumentam a taxa de auto descarga da bateria ( a bateria se descarrega lentamente mesmo estando fora do rádio ). Quanto maior for a temperatura maior será essa taxa.

                 - Somente aplique uma carga completa na bateria ( 14-16 horas ) SE A MESMA ESTIVER TOTALMENTE DESCARREGADA.
                 
A maior causa de danos causados as baterias é colocá-las para carregar quando não estão totalmente descarregadas. Quando sobrecarregadas as baterias esquentam e produzem muito gás internamente, isso faz com que a válvula existente no polo positivo abra para dar vazão a pressão interna. Ao sair o gás , sai também o eletrólito da bateria inutilizando a mesma. Imagine a bateria como um reservatório d'água com capacidade de 500 litros onde você consumiu apenas 100 litros. Se você tentar colocar 500 litros dentro dele, só vão entrar 100 litros os outros 400 vão vazar. Com a bateria acontece a mesma coisa. Você deixa a bateria carregando por 15 horas e vai para o campo. Faz quatro ou cinco vôos de 10 minutos. Se deixar a bateria carregando por mais 15 horas você provocará uma sobrecarga na mesma. Além do mais esse procedimento fará com que a bateria passe a apresentar o " efeito memória" , ou como é mais conhecido o termo, a bateria ficará " viciada ". Por isso é tão importante DESCARREGAR A BATERIA ANTES DE COLOCÁ-LA NOVAMENTE NO CARREGADOR. Veja bem descarregar a bateria totalmente não significa " zerá-la ", isto é, deixar o rádio ligado até que a bateria " morra" totalmente. Quando se coloca uma bateria "zerada" para carregar novamente, pode ocorrer que uma ou mais células assumam a polaridade inversa ( o polo positivo transforma-se em negativo ), isso fará com que a voltagem final da bateria fique abaixo do normal, uma vez que a célula (as) invertida (as) terá a sua voltagem subtraída do conjunto todo. Descarregue sempre as baterias com um ciclador ou com um descarregador controlado eletrônicamente para evitar que a voltagem chegue a zero.
 
                  - Verifique semestralmente a capacidade das suas baterias utilizando um ciclador confiável. Baterias que apresentem 70% da sua capacidade nominal devem ser substituídas.
                     A capacidade impressa na bateria em mA/h ( miliampéres-hora ), é a mínima que a bateria deve fornecer quando está em boas condições. Isto é, uma bateria de 600 mA/h ao ser testada num ciclador, deverá apresentar sempre uma capacidade igual ou maior do que 600mA/h , se estiver em boas condições. Capacidades menores do que a especificada indicam que a bateria está no declínio da sua vida útil. Devendo, por segurança, ser substituída o mais breve possível.

                   - Retire periodicamente a bateria do rádio e examine o estado dos terminais. Se a parte metálica dos contatos apresentar algum tipo de oxidação azulada, pense em substituir a bateria no menor tempo possível.
                    A presença de oxidação nos terminais da bateria e/ou do rádio, indica vazamento de eletrólito, seja devido a sobrecarga ou bateria inoperante por longos períodos. A válvula existente no polo positivo da bateria que libera o excesso de gás interno em caso de sobrecarga, necessita de uma voltagem mínima de 0,65 volts aproximadamente para se manter fechada. Abaixo desse valor a válvula abre e a bateria vaza. O eletrólito da bateria então "caminha" pela capa plástica do fio negativo fazendo com que o mesmo fique totalmente preto. chegando aos terminais e não raro a própria placa do circuito do rádio corroendo tudo que estiver em seu caminho!

                   -Ao trocar a bateria por outra de maior capacidade, lembre-se que vai precisar de um carregador também de maior capacidade para carregá-la. O carregador fornecido com o rádio, certamente será incapaz de carregar a nova bateria completamente.
                    Com o surgimento de baterias de maior capacidade é comum o modelista querer trocar suas baterias de 600 ma/h por outras de 1000, 1800 e até maior capacidade. Essa atitude só se justifica para as baterias do receptor, no caso de termos um consumo maior de energia ( maior número de servos ou servos de maior torque instalados no modelo ), uma vez que o consumo do transmissor não varia. O carregador fornecido com o radiocontrole carrega as baterias no sistema de carga lenta, ou seja, C/10 ( 10% da capacidade da bateria ) normalmente 50 ou 60 mA/h, servindo para baterias de 500 ou 600mA/h. Se trocarmos as baterias por outras de 1000 mA/h, necessitaremos de um carregador que forneça 100 mA/h para podermos carregar a nova bateria num período de 15 horas. Não é correto pensar que deixando uma bateria de 1000 mA/h ligada num carregador de 50 mA/h por 30 horas a carga estará completa. Na realidade isso não funciona muito bem porque o sistema de carga desses carregadores faz com que a carga vá diminuindo de intensidade na medida em que a bateria vai sendo carregada, logo para um carregador de 50 mA/h a baterias estaria carregada quando tivesse armazenado 500 mA/h. A partir desse valor a corrente de carga começa a diminuir, até que chega a um ponto no qual torna-se tão baixa que mesmo que o carregador ficasse ligado por um mês na bateria de 1000 mA/h, não conseguiria carregá-la totalmente. Muitos colegas utilizam esse sistema e pensam que dispõe de uma bateria de 1000 mA/h quando na realidade se forem medir a carga armazenada veriam que ela não passa de uns 600 a 700 mA/h. É mais ou menos como você ter um tanque de 100 litros de gasolina no seu carro e o posto de abastecimento só poder colocar 60 litros... Se você tentar andar a quilometragem equivalente aos 100 litros, sem reabastecer, vai ficar pelo caminho...
                   

                   - Lembre-se que a bateria é um dos itens mais baratos se comparados com os outros integrantes do radiocontrole, portanto cuidado com a economia.


                     OBS. O efeito "memória" só está presente nas baterias de NiCd ( Níquel Cádmio ).

 

Como guardar as baterias por longos períodos.

 

Como devo proceder para armazenar minhas baterias por longos períodos ?

                   As baterias deveriam ser removidas do transmissor e do avião se você vai ficar muito tempo sem voar. No verão as baterias devem ser mantidas dentro do refrigerador ( não no freezer ).
                   Em épocas de clima mais ameno, basta mantê-las abrigadas de qualquer fonte de calor. A razão para esse procedimento deve-se ao fato de que a maior causa de defeitos nas baterias é provocada por problemas no separador interno.                   As baterias possuem internamente duas placas metálicas (polo positivo e polo negativo ) isoladas uma da outra por um separador químico, com a elevação da temperatura o separador começa a se deteriorar oxidando-se rapidamente. De fato, a taxa de oxidação do separador dobra para cada 10º C de aumento da temperatura, provocando danos irreparáveis na célula.
                 Quanto a carga, as baterias podem ser guardadas carregadas ou descarregadas. Isso realmente não importa, uma vez que elas se descarregarão sozinhas de qualquer forma após alguns meses de armazenamento na temperatura ambiente.                   Guardando as baterias no refrigerador, elas manterão a carga por um longo período de tempo, assim é aconselhável descarregá-las até o limite mínimo ( 0,9 - 1,1vol por célula ) antes de guardá-las. Nessa condição de armazenamento, as células boas manterão uma voltagem ao redor de 1 volt e as células que já apresentam algum problema no separador simplesmente entrarão 'em curto' - a voltagem em seus terminais irá para 0 volt.
                Células que apresentam voltagem 0 em seus terminais, indicam que o pack deve ser substituído, por que com o tempo outras células virão a apresentar o mesmo problema.
                Pequenos curtos circuitos no separador da célula irão provocar uma taxa de auto-descarga elevada e possivelmente farão com que você fique sem bateria durante um vôo, mesmo que minutos antes de voar você tenha constatado que a voltagem estava OK.
               A razão para remover as baterias do transmissor e do avião é protege-las contra a oxidação do fio preto. Uma célula durante um período longo de armazenamento pode apresentar um pequeno vazamento do eletrólito interno, provocando a oxidação do condutor negativo da bateria devido ao efeito eletrolítico. Esse efeito, conhecido como "doença do fio preto " pode ser observado nos packs que ficam muito tempo fora de operação.
              Quando colocar as baterias novamente em uso, antes de carregar, verifique a voltagem de cada célula sem carga, isso é apenas medindo em seus terminais com um voltímetro digital.. A voltagem lida deve ser maior do que 1,0 volt . Quanto mais próximos forem os valores da voltagem de cada célula, em melhor condição estará o pack. Dizemos nesse caso, no jargão técnico, que a bateria esta "plana".
              Caso a leitura de alguma célula indicar 0volt, não hesite em providenciar a troca do pack! Provavelmente se você colocar o pack em carga lenta, essa célula iria ser "reanimada" e logo estará com a voltagem igual as demais. NÃO FAÇA ISSO ! Você estará arriscando o seu avião. Quando menos você esperar o pack irá falhar. Substitua a célula defeituosa e utilize o pack em modelos terrestres onde uma falha não ocasionará maiores problemas.
              Se você tem acesso a um ciclador, submeta o pack a um par de ciclos para ter uma idéia da sua real capacidade. Qualquer valor menor do que 80% do nominal, indica que o pack deve ser substituido.
              Uma vez no campo, cheque a bateria novamente antes do vôo, particularmente nas primeiras vezes que for utilizá-la.

             Como medir a voltagem das células individualmente sem abrir o pack ?

             A maneira que eu acho mais simples é conseguir duas agulhas de injeção, enrolando em cada uma delas - na parte metálica - um pequeno pedaço de fio. A outra ponta do fio você enrola na ponteira do Voltímetro digital. Depois de devidamente isolados com fita adesiva, basta "cravar" uma agulha em cada polo da célula ( pilha ) através do plastico que envolve o pack e observar a leitura no display do instrumento.
             Essa é uma dica pessoal.

             O texto acima foi traduzido do site Battery Clinic do Red Scholefield ( engenheiro aposentado que trabalhou na Sanyo- GE e outras empresas de fabricação de baterias recarregáveis) http://www.rcbatteryclinic.com .